Operação codinome: "Formosa"


Operação codinome: "Formosa"

Em 2009 estivemos duas vezes trazendo carros do hoje famoso ferro velho de Formosa/GO, mas que até pouco antes disso, era um segredo de poucos.





Desde que essas primeiras fotos aqui do álbum mostrando o ferro velho começaram a aparecer na internet por volta de 2006 o local exato sempre foi omitido, mas com o inicio de trocas de informações nos grupos e fóruns, logo o cerco ao desmanche foi se afunilando. Com o tempo fizemos um trabalho e identificamos o local! Até então era um cemitério com muitos Dodges, mas ainda assim não justificava uma grande expedição até ao local.




Por algumas ironias um carro em especial começou a se destacar, quando recebemos mais fotos desse carro em particular, uma grande e vermelha luz começou a piscar para a gente.




O “Alvo”.


Aparentemente o carro em questão seria um R/T 1975 verde, o que por si só chama bastante atenção já que qualquer Charger verde é algo bem incomum e na época não conhecíamos nenhum R/T 75 verde original, quando recebemos as primeiras fotos de um agente local, a ficha caiu. Era um Charger R/T 1971 Verde Tropical com up-grade de faixas para 75. A traseira ainda era original de 71, as fotos do cofre evidenciavam que a cor seria original, pois embaixo da plaqueta, debaixo do anel suporte do ventilador, todos esses lugares eram verde e concluindo a questão da cor o adesivo do alternador ainda estava colado no cofre, então não deveria ter sido re-pintado. Para fechar o número de chassis na casa dos 14.000, era um 1971.




Os Chargers R/T 1971 são carros hoje raríssimos e por uma série de fatores os tornam os mais cobiçados. Foi produzido um total de 942 carros divido em quatro cores, Amarelo Boreal, Cinza Bariloche, Verde Tropical e Vermelho Xavante. Estima-se que por volta de 25 carros tenham restado apenas, esse seria o 3º R/T Tropical descoberto.




Em menos de 48h de ter todas essas informações em mãos, saindo às 16h de uma sexta de feira de São Paulo, no dia seguinte às 8h da manhã, sábado, havíamos percorrido os 1.150km que nos separavam do ferro velho.



O “Local”.

Chegamos ao ferro velho. A primeira sensação é estarrecedora, eram 48 Dodges todos mutilados e jogados a esmo, na época já eram carros bem procurados e praticamente nenhum dos carros ostentavam mais nenhuma peça significante devido a sua proximidade com Brasília, o local sempre foi um supermercado muito frequentado pelos Dojeiros da capital federal. Uma curiosidade é que praticamente todos os carros ainda tinham para choques e para brisas, peças que comumente nunca ouve escassez no mercado, mas o proprietário aderia valor alto a essas duas peças, assim a maioria ainda estava por lá. 






O sentimento de no final dos anos 2000´s você se ver rodeado de carcaças até onde a vista conseguisse enxergar foi algo único, não da pra descrever aquele mar de soldados combalidos praticamente todos sem fisionomia, mutilados, que impedia de se perceber que cada carro ali fora antes um individuo com características tão belas de cores e modelos que se distinguiam tanto entre si, ali estavam todos caídos, sucumbidos como iguais.






Talvez essa uniformidade sem expressão individual fizesse com que ninguém nunca tivesse ido até lá e escavasse através de cada característica individual, o que cada um daqueles soldados poderia ter sido nos seus dias de glória já que praticamente todos haviam sido separados de suas “Dog Tag”, as plaquetas de identificação.






Quando terminamos o inventario resultou em algo impressionante, pelo menos uma dezena de Chargers, quase outra dezena de carros pretos de fábrica provavelmente devido sua proximidade ao distrito federal, um punhado generoso de SE´s e mais uma massa de Darts.






Interessante é a falta de 79, a grande maioria desses carros chegaram até o ferro velho ainda na década de 80, muito vieram até lá rodando ou com pequenas avarias que já eram suficiente para serem sucateados, fato que justificava as impressionantes cenas de vários carros enterrados muitas vezes até a cintura na terra, e contrario aos poucos 79, haviam muitos caras de lata, os Dart fabricados entre 1970 e 1972.





Nosso alvo já havia sido examinado, confirmado e estava em preparo para despacho quando outro carro nos chama atenção, praticamente enterrado sobre 2/3 do que sobrou de um Maverick, estava a carroceria de um Charger bege que externamente a única característica reconhecível era o marca da falta de um chapão traseiro de 1973, o que chamou atenção para um olhar mais atento que de cara ao interior um detalhe se destacava. Os carros de 71 e 72 com cambio de 4 marchas tiveram um suporte do console de cambio diferenciado dos 73 em diante e isso ascendeu aquela mesma grande e piscante luz vermelha. Não havia duvidas, dessa vez a plaqueta ainda no local provava ser um raro e belo Charger “LS” 1971 4 marchas Y7- Ouro Espanhol.








O R/T ainda passa por um processo de restauração bem complexo com o Anderson Felipone, enquanto cedemos o LS para um grande amigo nosso do Paraná que também enfrentou uma longa e custosa restauração, mas que por fim resultou sem sombra de duvidas em um dos mais belos Charger que temos hoje em dia.
















De 2009 até hoje, muitos desses carros que na época não tinham um resgate viável, com a supervalorização que tiveram desde aquela época, fez com que muitos deles recebessem a chance de restauro e hoje alguns poucos já estão retornando as ruas.  Um caso muito legal é do R/T 1977 Castanho Araguaia do nosso amigo Ricardo de Brasília, que foi dono do carro nos anos 90 quando após vender para outra pessoa, soube que o carro havia ido para o ferro velho após uma leve batida. 20 anos depois, aproveitando que o carro nunca tinha sido transferido, Ricardo foi até o ferro velho e trouxe de volta o 77 para Brasília.





Por fim sem sombra de dúvidas o dono do ferro velho, Seu Delmar mesmo inconscientemente comprando esses carros para vender por partes, simplesmente ao deixarem eles lá, se tornou um dos maiores preservadores de Dodges nacionais de todos os tempos não só por abastecer uma demanda de carros que precisavam de partes durante os anos 80, 90 e 2000, como por ainda hoje estar possibilitando que alguns dos seus carros sejam restaurados e retornem aos dias de glória.




       


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